quarta-feira, 8 de abril de 2015

Especialistas estimam que este ano haverá mais dengue que em 2014

Em 2015, o número de casos de dengue no Brasil deve ser mais elevado do que no ano passado, segundo especialistas. Só nos dois primeiros meses do ano, já houve 174,6 mil notificações da doença no país, aumento de 139% em relação ao mesmo período de 2014.

O comportamento do vírus em 2014 já deu sinais de que a temporada de dengue deste ano pode ser mais intensa, de acordo com o médico Carlos Magno Castelo Branco Fortaleza, membro do Comitê de Doenças Emergentes da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).



Segundo ele, apesar de o número de casos em 2014 ter sido relativamente baixo, o vírus permaneceu ativo durante o ano todo. “Geralmente, depois de maio, existe uma queda dos casos a um nível muito próximo de zero. No ano passado, houve uma continuidade da dengue no ano inteiro.”

Além disso, o retorno da estação de dengue – que geralmente ocorre entre novembro e dezembro – foi adiantado para outubro. “Tudo isso aponta para o fato de que este ano teremos um pico bem mais elevado”, diz Fortaleza.

Para a infectologista Marinella Della Negra, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, "tudo leva a crer que o número de casos deste ano vai superar o do ano passado". Porém, ela alerta que a evolução do vírus ao longo do ano vai depender das ações de prevenção contra a proliferação do mosquito, tanto na esfera individual quanto na esfera da saúde pública.

O infectologista Stefan Cunha Ujvari, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, observa que temperatura e quantidade de chuvas também interferem no número de casos de dengue: quanto mais quente e úmido, maior a proliferação do mosquito Aedes aegypti e maior o número de infecções.

A quantidade de chuvas deste ano, em comparação à estiagem dos primeiros meses de 2014, também podem apontar para mais casos de dengue. "Esta epidemia da região Sudeste é esperada para a época do ano por causa das chuvas", diz Ujvari.

Ujvari diz que é comum que o número de casos de dengue oscile ao longo dos anos. “Em alguns anos temos um número muito grande e, em outros, um número menor. Depende muito dos sorotipos que estão circulando e varia de região para região.”

No Brasil, circulam os quatro sorotipos. Neste ano, há predominância do sorotipo 1, responsável por 81,7% dos casos nacionais. Trata-se do mesmo tipo que predominou no ano passado. Segundo Ujvari, a oscilação dos casos é determinada, entre outros fatores, pelo número de pessoas que já têm imunidade conta determinado sorotipo.

É por isso que depois de uma grande epidemia – como a de 2013, que infectou mais de 1,4 milhão de pessoas – a tendência é ter um ano com um número menor de casos – como em 2014, que teve 591 mil infectados – já que mais pessoas estão imunes.

Em reunião sobre dengue em São Paulo, o ministro da Saúde, Arhur Chioro, lembrou que já entramos no período do auge da dengue. “O período de março a maio é, historicamente, o de maior transmissão da dengue, e isso acende o alerta para a necessidade de redobrar as ações de vigilância”, disse.

(G1)